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M6GT resgata o primeiro sonho de rua de Bruce McLaren

Criado no fim dos anos 1960, esportivo antecipou a ideia que só viraria realidade décadas depois com o McLaren F1

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AutoMotori

A McLaren vai levar ao Festival de Velocidade de Goodwood um carro que explica boa parte da sua própria história. A marca britânica restaurou um M6GT, esportivo criado no fim dos anos 1960 a partir da experiência de Bruce McLaren nas pistas. O projeto foi conduzido pela McLaren Special Operations, divisão responsável por modelos especiais e restaurações da marca.

O M6GT tem um valor simbólico raro. Ele nasceu como a primeira tentativa de Bruce McLaren de criar um carro de rua com tecnologia de competição. A ideia era simples e ambiciosa: usar a base de um carro de corrida para desenvolver um esportivo leve, baixo, aerodinâmico e rápido o bastante para enfrentar os melhores carros da época.

O projeto original surgiu em 1969, com ligação direta com o McLaren M6A, modelo usado nas provas da Can-Am. Bruce chegou a usar o primeiro protótipo do M6GT como carro pessoal para ir a reuniões e eventos de corrida. O esportivo tinha motor central, carroceria fechada e portas com abertura do tipo asa de borboleta, solução que anos depois ficaria famosa no McLaren F1.

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A morte de Bruce McLaren, em 1970, interrompeu os planos de levar o M6GT adiante. A marca só conseguiria transformar essa visão em um carro de produção mais de duas décadas depois, com o lançamento do McLaren F1, em 1992. Por isso, o M6GT restaurado não é apenas um exercício de nostalgia. Ele representa o elo perdido entre a McLaren das pistas e a McLaren dos supercarros de rua.

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A restauração foi feita com base em desenhos históricos, fotos de época e moldes originais de carroceria encontrados no Reino Unido. A MSO também usou componentes restaurados e peças fabricadas sob medida para manter o carro o mais fiel possível ao projeto original.

O chassi veio de um McLaren M6A de competição. A carroceria foi refeita a partir dos moldes originais, que ainda traziam sinais de alterações feitas durante o desenvolvimento do projeto nos anos 1960. Em vez de apagar essas marcas, a equipe decidiu preservá-las como parte da história do carro.

O conjunto mecânico também respeita a época. O M6GT restaurado usa um motor V8 small-block com cabeçotes do tipo “camel hump”, especificação compatível com a configuração original. O câmbio também segue o padrão usado no período.

A atenção aos detalhes aparece em partes que quase ninguém vê. A MSO refez manualmente elementos estruturais ocultos, como o arco de proteção, a estrutura traseira, reforços internos da carroceria e o chicote elétrico. A suspensão usa componentes originais do M6GT, restaurados e reconstruídos. Até rolamentos em medidas imperiais precisaram ser buscados para manter a autenticidade.

No interior, a McLaren preferiu um acabamento simples e fiel ao período. A cabine recebeu bancos revestidos em vinil verde, manopla de câmbio feita em nogueira maciça torneada à mão e detalhes de costura termo-selada. O para-brisa também foi recriado com a ajuda de digitalizações do formato original.

A pintura recebeu o nome Colnbrook, em referência à primeira fábrica de Bruce McLaren, localizada perto do Aeroporto de Londres, depois rebatizado como Heathrow. A combinação de carroceria branca com interior verde também remete ao McLaren M2B de Fórmula 1 de 1966, o primeiro carro da marca na categoria.

O M6GT será um dos destaques da McLaren House em Goodwood. A exposição reunirá carros históricos e modelos atuais para mostrar a evolução da marca desde as corridas de Bruce McLaren até os supercarros contemporâneos. Entre os modelos previstos estão o M8A da Can-Am, o Austin 7 Ulster ligado ao início da carreira de Bruce, o McLaren F1 GTR, o Artura, o 750S e o W1.

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A McLaren também deve mostrar em Goodwood o MCL-HY, protótipo desenvolvido para disputar as 24 Horas de Le Mans e o Mundial de Endurance a partir de 2027. A presença reforça a tentativa da marca de conectar passado e futuro no mesmo espaço.

O M6GT restaurado, porém, deve ocupar um lugar especial. Ele mostra que a ideia de um McLaren de rua nasceu muito antes dos supercarros modernos da marca. Bruce McLaren já queria levar a engenharia das pistas para as ruas no fim dos anos 1960. O tempo impediu que ele visse esse plano ganhar escala. Mais de meio século depois, a McLaren recupera esse projeto como uma peça histórica e, ao mesmo tempo, como uma declaração de origem.

Confira abaixo o vídeo produzido pela marca, mostrando a história do modelo e do seu criador.

©Joaquim Rimoli | AutoMotori 2026, com informações da McLaren

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